Neste texto, como ideia que vem, gostaria de retratar a inércia, o despertar, a eterna espera. Sendo um país pequeno, tudo o que temos a fazer é esperar por uma mudança que pode ou não vir a ocorrer. Trago como importante referência os textos de Samuel Becket, autor Irlandês, ganhador do nobel de literatura, que consegue em palavras simples alcançar as pessoas e falar sobre a angustiante ideia de se estar em uma rotina. E o que seriam viagens se não uma tentativa de quebrar o tédio?

Onde estivemos na Irlanda

Na primeira semana viajando na Irlanda, estivemos em dois lugares incríveis e calorosos. Não consigo mensurar o quão afortunado fomos até aqui e muita coisa já se passa pela cabeça. Baseando-se por esta semana, a jornada vai ser extremamente potencializadora.

O primeiro lugar que ficamos foi na casa de amigos de longa data. Brasileiros fazendo suas vidas em um lugar diferente, lidando com a distância, com a mudança de conceitos e com a quebra da rotina com a qual estavam acostumados. Estar lá foi como ficar em família, comendo das coisas que sempre gostamos e que ao meu ver, pela distância e falta de, se tornaram incrivelmente mais excitantes.

O segundo lugar, Trevor’s house, foi uma casa que encontramos no couchsurfing. Aqui notei coisas importantes sobre a vida e meu olhar está diferente sobre as coisas desde que cheguei.

Três sentenças que aprendi com este doce homem, cujo o qual nos hospedou com tanta gentileza e sabedoria, são: “No rush”, “Is up to you” e “Enjoy yourselfes”! E por agora, são exatamente estas as três sentenças que estão ditando o que quero para mim neste momento. Primeiro, eu sou responsável por aquilo que faço e por aquilo que sou. E aquilo que sou já é belo e forte, então não preciso correr para nenhum lugar, pois já estou no lugar certo.

Sobre estar vivendo o agora

Uma hora e meia caminhando a pé até o ponto habitado mais próximo. Cá estamos, rodeados de histórias e vento, na companhia de pessoas que são, em suma, grandes por não carregar nada. Caminhantes em busca de um firmamento que não seja fixo, mas sim fluído e apoiado no que há de mais lindo no ser vivente: amor, simplicidade, o corpo e o agora.

Um velho casal na companhia de jovens passarinhos apaixonados, que tomam um banho de água fria ao se colocar em contato com tamanha sobriedade pela velhice e amor pela vida. Tal amor que se percebe somente com longa caminhada. Estamos fazendo a nossa! No entanto, passarinhos que somos, não caminhamos ‘pero” voamos!

O colhedor de espinhos:

Existia um jovem
que em dias de sol
ia buscar caminhos
e trabalhava em prol.

Ele colhia espinhos
com suas mãos de anzol
para limpar o trilho
na direção farol.

E seu amor passava
Pés descalços, si bemól
Em meio a madrugada
colhendo girassol.

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